
Este ano, eu me dei o melhor de todos os presentes: pausa
Eu não sou workaholic, mas sou worklover. Adoro meu trabalho e costumo dizer que nunca tive expediente. Existe em mim uma sensação constante de “tudo junto e misturado”: eu me divirto enquanto trabalho e, de algum jeito, trabalho até quando estou relaxando. (Sim, eu sei: isso tem beleza — e tem risco.)
Depois de um 2025 muito ativo e intenso, eu só precisava de uma coisa: ir para o meu lugar preferido no mundo e pausar, de verdade.
O meu refúgio fica em uma praia quase deserta na Costa dos Corais — entre Maceió e Recife. Um lugar que frequento há 20 anos e onde sempre me sinto plena e feliz, porque tudo ali é lindo e generoso: o mar morno, a brisa que não cessa, os coqueiros e sua água doce, o céu cheinho de estrelas, a maré que dita o ritmo dos dias.
Dessa vez, mais do que nas outras, eu me entreguei a um fazer nada contemplativo — e cheio de gratidão. Eu não saí para nada. Estava tudo lá.
Acolhi o ritmo do corpo, sem negociar com ele: comer quando vinha a fome, dormir quando batia o sono, acordar com o nascer do sol. E foi curioso: quando eu parei de “administrar” o tempo, o tempo se multiplicou. A mente se acalmou. A alma sorriu.
Foi nessa pausa que eu pude, finalmente, me dar conta do tanto que fiz — e produzi — ao longo de 2025. Senti uma alegria mansa, uma gratidão inteira, por tantas oportunidades, encontros e bênçãos recebidas.
E foi nesse hiato iluminado que os sonhos para o próximo ano começaram a emergir. Sonhos bons, cheios de significado. Entre eles, um compromisso simples (e nada simples): me dar mais momentos de pausa.
Porque pausa não é só férias. Pausa pode surgir onde a vida estiver acontecendo: numa caminhada no parque, numa oração no quarto, num café com alguém querido. Em pequenos intervalos de presença, em que a gente volta para dentro e lembra quem é.
Que a gente possa se dar pausa. Com coragem, com gentileza — e sem culpa.

