Ao longo da vida profissional, alguns marcos permanecem como âncoras. São escolhas, viradas e pausas que reorganizam não só a carreira, mas o sentido do trabalho.
Gosto de pensar minha trajetória por recortes — não como uma linha reta, mas como uma travessia feita de encontros, decisões corajosas e redirecionamentos necessários. Compartilho aqui três desses pontos, que não apenas definiram minha carreira, mas reafirmaram o que realmente me move.
1 – Quando a coragem falou mais alto do que o roteiro
Eu tinha 24 anos e nunca havia saído do país. Em 1985, decidi ir para a Itália — sozinha. A decisão inicial foi por amor, mas o relacionamento terminou antes do embarque. Ainda assim, eu fui. Por mim.
Morei um ano em Firenze, e aquela experiência foi, sem dúvida, transformadora. Ganhei independência, visão de mundo e uma intimidade com a arte, a cultura e a convivência que moldaram quem sou até hoje. Entendi ali que as grandes mudanças começam com um ato de confiança em si mesma.
2 – Quando o sucesso já não bastava
Aos 44 anos, eu era dona de uma agência de comunicação consolidada, com 20 anos de mercado. O negócio ia bem, crescia, gerava resultados — mas algo dentro de mim pedia mudança. Percebi que já não queria comunicar apenas para vender produtos ou serviços.
Amo comunicação. E fui percebendo que ela tem um papel essencial na convivência, na construção de sentido, na escuta, na ética. Desapeguei. Encerrei a agência, entreguei minha casa, redistribuí os clientes. Fiz espaço para uma nova etapa, mais conectada ao que acredito.
3 – Quando o corpo pede pausa — e a vida responde com propósito
Dez anos depois, fui surpreendida por um diagnóstico de câncer. A pausa não foi planejada, mas foi profundamente necessária. Ela me trouxe de volta ao eixo: por que mesmo eu faço o que faço?
O tratamento me silenciou temporariamente, mas amplificou meu olhar. E me lembrou de algo essencial: trabalhar com sentido, com propósito e com responsabilidade sobre o impacto que geramos no mundo — em cada palavra, projeto ou relação.
Hoje, olho para esses pontos como bússolas. Eles me ensinaram que carreira não se mede só por cargos, entregas ou títulos, mas pelas decisões que nos mantêm fiéis à nossa essência.
E você, quais foram os pontos que definiram sua trajetória?
