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As fronteiras da governança: Como a linguagem molda o futuro dos negócios

As fronteiras da governança: Como a linguagem molda o futuro dos negócios

“As fronteiras da minha linguagem significam as fronteiras do meu mundo.” A célebre frase do filósofo Ludwig Wittgenstein é um poderoso lembrete de que a linguagem não apenas descreve a realidade, mas a constitui. As palavras que usamos criam o mundo que habitamos, definindo o que podemos perceber, compreender e transformar. No universo corporativo, essa ideia nunca foi tão relevante.

A comunicação tem a função primordial de conectar e dar forma aos novos paradigmas que emergem de uma realidade volátil e complexa. Nossa linguagem está em constante mutação porque reflete as dinâmicas da sociedade, e isso inclui a maneira como nos relacionamos com a governança. As transformações do contexto global exigem que as organizações se adaptem, e para isso, precisam expandir seu vocabulário e, consequentemente, sua visão de mundo.

É nesse cenário que surge o conceito de metagovernança. Trata-se de uma abordagem que promove a observação crítica sobre a eficácia e a legitimidade dos sistemas de governança já existentes. É um convite para ir além das práticas estabelecidas, buscando melhorias constantes. Mais do que seguir um manual, a metagovernança busca a evolução contínua, ou seja, praticar a governança da governança.

O Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), é um exemplo claro de como a linguagem da governança evolui. Lançado pela primeira vez em 1999, o código inicialmente focava apenas no Conselho de Administração. Com o tempo, ele foi ampliado para incluir outros agentes de governança, como sócios, gestores, auditorias e o Conselho Fiscal. Essa expansão reflete uma mudança na percepção da governança, que passou a ser vista como um sistema mais amplo e interconectado dentro das organizações.

Em 1999, o código definia que o papel do Conselho de Administração era proteger o patrimônio e garantir o melhor retorno aos acionistas, zelando pelos valores e interesses de quem investia na empresa.

Já em 2023, a definição se tornou mais abrangente: governança corporativa passou a ser entendida como um sistema que orienta e monitora as organizações para gerar valor sustentável — não apenas para a empresa e seus sócios, mas também para a sociedade e o meio ambiente.

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Além disso, a integridade foi incorporada como um novo princípio da governança corporativa, ampliando a ênfase em aspectos éticos e sustentáveis nas práticas organizacionais. Essa evolução evidencia como a linguagem da governança se expande, permitindo que as organizações pensem de forma mais estratégica, responsável e integrada.

Observar a transição entre as diferentes edições do código é, portanto, um exercício revelador. Cada atualização amplia o “vocabulário” da governança, introduzindo novos conceitos e aprimorando princípios para responder às novas fronteiras do nosso mundo. Como nos lembra Wittgenstein, ao mudarmos nossa linguagem sobre governança, mudamos a própria realidade da gestão.

A pergunta que fica é: a linguagem de governança da sua organização está expandindo ou limitando as fronteiras do seu mundo?

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